RIO - Num avanço que promete revolucionar a compreensão da mente e,
pela primeira vez, permitir a comunicação com pessoas em coma ou que
sofrem de paralisias graves, cientistas conseguiram decifrar pensamentos
e transformá-los em palavras. Num estudo pioneiro, neurocientistas
americanos conseguiram “ler” fragmentos de pensamentos das pessoas por
meio da decodificação da atividade cerebral.
A técnica é baseada
na coleta de sinais elétricos diretamente do cérebro dos pacientes
enquanto eles pensavam. Com os sinais “ouvidos” dos pacientes, um
software pode reconstruir os sons dos pensamentos dos pacientes. O
estudo, potencialmente revolucionário, foi publicado na edição desta
semana da revista PLos Biology.
A pesquisa abre caminho para
compreender como se forma a linguagem. A mais importante e imediatada
aplicação da pesquisa será dar uma voz a pessoas incomunicáveis e
trancadas dentro de si mesmas por lesões no sistema nervoso, derrames ou
doenças neurodegenerativas. O método ainda está em desenvolvimento, mas
abre caminho para implantes cerebrais que possam monitorar os
pensamentos de uma pessoa e transformar em palavras as frases que elas
imaginarem.
Desenvolvido pela Universidade da Califórnia, o método
foi testado em 15 pacientes nos Estados Unidos. O computador se mostrou
capaz de decifrar a atividade cerebral dessas pessoas e produzir
palavras a partir disso. Porém, a técnica ainda precisa ser
aperfeiçoada, pois muitas vezes as sentenças eram incompreensíveis.
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É muito excitante começar a vislumbrar como nosso cérebro decodifica a
linguagem. Acho que estamos a caminho de desenvolver equipamentos
implantáveis para pessoas incomunicáveis. Por enquanto, a técnica ainda
tem falhas. Mas em dez anos poderá ser tão comum e eficiente como hoje
são próteses ósseas - disse o líder da pesquisa, Robert Knight, diretor
do Instituto de Neurociência da Universidade da Califórnia.
Imagem do Observatório Europeu do Sul mostra o berçário estelar NGC
3324: estrelas jovens e quentes em seu interior iluminam nuvem de gás e
escavam cavidade ao seu redor
ESO
RIO – Imagem divulgada nesta quarta-feira pelo Observatório Europeu
do Sul (ESO) mostra um berçário de estrelas que mais parece o rosto de
uma pessoa de perfil. Batizado NGC 3324, o objeto está localizado a
cerca de 7,5 mil anos-luz da Terra e a radiação emitida pelos astros
jovens e quentes em seu interior faz com que a nuvem de gás brilhe com
cores vivas, ao mesmo tempo que escava uma cavidade no gás e poeira ao
seu redor.
Captado pelo telescópio de 2,2 metros do ESO instalado
no Observatório de La Silla, no Chile, o berçário estelar é um dos
muitos já identificados nos arredores da caótica nebulosa Carina. Graças
a um depósito rico em gás e poeira, a NGC 3324 atravessou um período de
formação estelar intensa há vários milhões de anos. Os ventos estelares
e a intensa radiação emitida poer estas estrelas jovens abriram um
buraco no gás e poeira no seu entorno, visto como uma parede de material
na área central à direita da imagem.
Assim como acontece com as
nuvens no céu da Terra, os observadores de nebulosas imaginam formas
nestas nuvens cósmicas. Assim, um dos apelidos para a NGC 3324 é
“Nebulosa Gabriela Mistral”, homenagem à poetisa chilena que ganhou o
prêmio Nobel da literatura em 1945, já que as as bordas da parede de gás
e poeira à direita parecem-se bastante com uma face humana de perfil,
com o “alto” no centro correspondendo a um nariz.